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Design Sem Fórmula

Entenda o que faz um Designer Digital.

Quando você abre um aplicativo, acessa um site, compra alguma coisa pela internet ou simplesmente rola o feed de uma rede social, existe muito mais design ali do que parece.

A posição de um botão, a escolha de uma fonte, as cores de uma tela, a maneira como uma informação aparece e até o caminho que você percorre dentro de um aplicativo são decisões que foram pensadas por alguém.

É nesse universo que entra o Design Digital.

Mas afinal, o que isso significa? O que faz um Designer Digital? É a mesma coisa que Design Gráfico? Precisa saber programar? E será que é necessário ser uma pessoa supercriativa para trabalhar com isso?

Vamos por partes.

O QUE É DESIGN DIGITAL ?

De forma simples, podemos entender o Design Digital como o design aplicado aos ambientes digitais.

Isso inclui a criação de interfaces, experiências, produtos e conteúdos que serão utilizados em computadores, celulares e outros dispositivos.

Um site que você acessa todos os dias, por exemplo, não precisa apenas ser bonito. Ele precisa ser fácil de entender, funcionar bem, organizar as informações de maneira clara e ajudar você a chegar onde precisa.

O mesmo acontece com um aplicativo.

Não basta colocar alguns botões e escolher uma cor bonita. É preciso pensar em como aquela pessoa vai utilizar o produto.

Por isso, Design Digital está muito ligado a uma combinação de criatividade, comunicação, tecnologia e resolução de problemas.

E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes da área: você não está simplesmente criando uma imagem. Está criando algo que alguém vai utilizar.

O que faz um Designer Digital?

Essa pergunta não tem uma única resposta.

E talvez seja justamente aí que muita gente se confunda quando começa a pesquisar sobre a profissão.

O Designer Digital pode trabalhar em diferentes etapas de um projeto, dependendo da empresa, do tipo de produto e da sua especialização.

Pode participar de pesquisas, organizar informações, criar fluxos, desenvolver wireframes, desenhar interfaces, criar protótipos, pensar em identidade visual para produtos digitais e até acompanhar testes com usuários.

Por isso, eu gosto de pensar no Designer Digital menos como alguém que tem uma única função e mais como alguém que usa o design para resolver problemas dentro do ambiente digital.

Quais são as principais áreas do Design Digital?

O Design Digital é um universo bastante amplo. E você não precisa dominar tudo para começar.

Algumas das áreas que aparecem com frequência são:

UX Design

Aqui, a preocupação está principalmente em entender as necessidades das pessoas e criar experiências que façam sentido para elas.

É pensar, por exemplo:

“Essa pessoa consegue encontrar o que precisa?”

“Esse processo está complicado demais?”

“O que pode ser melhorado nessa experiência?”

UX envolve muito mais do que aparência.

UI Design

É a parte mais relacionada à interface que a pessoa vê e utiliza.

Cores, tipografia, botões, ícones, espaçamento, hierarquia visual, componentes e outros elementos fazem parte desse universo.

Mas UI também não é simplesmente “deixar a tela bonita”.

Uma interface precisa comunicar, orientar e facilitar a interação.

Design de Produto

Product Design está muito relacionado ao desenvolvimento de produtos digitais.

O profissional pode atuar desde a compreensão do problema até a criação e evolução da solução, trabalhando próximo de pessoas de produto, tecnologia, negócios e outras áreas.

É uma área que mistura bastante coisa: experiência, interface, estratégia e tecnologia.

Web Design

É o design voltado para sites e experiências na web.

Aqui entram questões como estrutura da página, navegação, hierarquia de informações, identidade visual, responsividade e experiência em diferentes dispositivos.

Motion Design

É quando o design ganha movimento.

Animações, transições, vídeos, interfaces animadas e outros recursos podem ser utilizados para comunicar uma ideia ou melhorar uma experiência.

Essas áreas podem se cruzar. Um mesmo profissional pode ter conhecimentos em mais de uma delas.

Design Digital e Design Gráfico são a mesma coisa?

Não exatamente.

Embora compartilhem muitos fundamentos, os contextos são diferentes.

O Design Gráfico tradicionalmente está muito associado a peças como:

  • livros;
  • revistas;
  • cartazes;
  • embalagens;
  • materiais impressos;
  • identidades visuais.

Já o Design Digital está mais relacionado a ambientes em que existe uma interação por meio de uma tela ou dispositivo.

Por exemplo:

  • sites;
  • aplicativos;
  • plataformas;
  • produtos digitais;
  • interfaces;
  • experiências interativas.

Mas existe uma grande área de encontro entre os dois.

Tipografia, composição, cor, contraste, hierarquia e identidade visual continuam sendo importantes, independentemente de o projeto terminar em uma folha de papel ou em uma tela.

Por isso, conhecer fundamentos de Design Gráfico pode ser bastante útil para quem trabalha com Design Digital.

Designer Digital precisa saber programar?

Essa é uma pergunta que aparece bastante.

E a resposta curta é: não necessariamente.

Você não precisa ser desenvolvedor para ser Designer Digital.

Mas existe uma diferença entre saber programar e entender como a tecnologia funciona.

Conhecer um pouco de HTML, CSS, responsividade e das limitações de desenvolvimento pode ajudar bastante no trabalho.

Imagine que você criou uma interface incrível no Figma, mas determinada interação é extremamente complicada ou inviável de desenvolver.

Ter uma noção básica de tecnologia ajuda você a conversar melhor com quem vai transformar aquele projeto em um produto funcionando.

Na minha visão, não é necessário tentar ser designer e desenvolvedor ao mesmo tempo. Mas entender um pouco do outro lado pode fazer uma diferença enorme.

Não.

E essa talvez seja uma boa notícia para quem já pensou:

Desenhar pode ser uma habilidade muito útil em determinadas áreas, mas Design Digital envolve muitas outras competências.

Você precisa aprender a observar, organizar informações, tomar decisões, comunicar ideias e entender problemas.

Em UX, por exemplo, saber fazer uma pesquisa bem estruturada pode ser muito mais importante para determinado projeto do que saber desenhar perfeitamente.

Em UI, entender hierarquia, tipografia, espaçamento e composição pode ter um impacto muito maior no resultado de uma interface.

Design não é uma competição para descobrir quem desenha melhor.

Existem muitas ferramentas e elas mudam bastante ao longo do tempo.

Hoje, algumas das mais conhecidas são:

Figma para interfaces, protótipos e colaboração.

Photoshop para edição e manipulação de imagens.

Illustrator para criação e edição de elementos vetoriais.

HTML e CSS para quem também trabalha próximo do desenvolvimento web.

Mas existe uma coisa que considero importante lembrar:

aprender uma ferramenta não é a mesma coisa que aprender Design.

Você pode saber usar o Figma de ponta a ponta e ainda assim criar uma interface confusa.

A ferramenta facilita o trabalho. O conhecimento de Design ajuda você a tomar decisões melhores.

Por isso, antes de se preocupar em dominar várias ferramentas, construa uma boa base nos fundamentos do Design. Afinal, a ferramenta ajuda a criar, mas é o conhecimento que permite entender a dor do usuário e pensar em uma solução que realmente faça sentido para ele.

E é justamente essa base que pode fazer você se destacar em meio a tantos outros profissionais que não tiveram a oportunidade de desenvolver fundamentos sólidos em Design.

Então, como começar no Design Digital?

Se você está começando agora, eu não tentaria aprender tudo ao mesmo tempo.

É muito fácil entrar nesse universo e encontrar uma lista enorme de ferramentas, cursos, áreas e termos diferentes.

Comece pelo básico.

Estude coisas como:

  • composição;
  • hierarquia visual;
  • tipografia;
  • cores;
  • contraste;
  • espaçamento;
  • princípios de interface.

Mesmo que você decida seguir apenas uma dessas áreas, entender as duas ajuda a enxergar o projeto de forma mais completa.

O Figma pode ser um ótimo ponto de partida para quem quer entrar no universo de interfaces e produtos digitais. Independentemente da área do Design que você escolher, ter uma ferramenta para colocar suas ideias em prática é fundamental. Com ela, você pode criar projetos, testar diferentes soluções, experimentar possibilidades e, principalmente, transformar aquilo que está aprendendo em algo concreto.

No começo, não se preocupe tanto em dominar todas as ferramentas. Escolha uma, pratique bastante e use o que você aprende para criar. A ferramenta é apenas o meio; o mais importante é desenvolver a capacidade de pensar e resolver problemas através do Design.

Não espere conseguir um cliente para começar a praticar.

Você pode criar um projeto fictício, redesenhar uma interface que já existe ou desenvolver uma ideia própria.

Se estiver com dificuldade para criar um projeto fictício, use a IA a seu favor. Peça para ela criar um briefing com um problema para você resolver, um público-alvo e alguns objetivos que o projeto precisa alcançar. A partir daí, use esse briefing como ponto de partida para estudar, testar ideias e colocar em prática os fundamentos de Design que você está aprendendo.

O importante não é apenas chegar a uma tela bonita, mas entender o problema, pensar em uma solução e aprender com o processo.

Use a IA para criar desafios para você, mas deixe que as decisões de Design sejam suas.

Um bom portfólio não precisa ter 50 projetos.

É muito melhor ter alguns projetos bem explicados do que uma coleção enorme de telas bonitas sem contexto.

Mostre o problema, suas decisões, o processo e o resultado.

Essa é uma parte que muitas vezes esquecemos.

Comece a prestar atenção no design que existe ao seu redor.

Por que determinado aplicativo coloca aquele botão ali?

Por que determinado site facilita uma tarefa enquanto outro torna tudo mais complicado?

Por que algumas embalagens chamam sua atenção imediatamente?

Quanto mais você observa, mais começa a perceber que Design está em praticamente tudo.

Se eu tivesse que resumir tudo isso em uma frase, diria que:

um Designer Digital usa conhecimentos de design, tecnologia e comportamento para criar soluções que funcionam dentro do mundo digital.

E isso pode acontecer de muitas maneiras.

Pode ser criando uma interface de aplicativo, planejando um site, melhorando uma experiência, desenvolvendo um produto digital ou até encontrando uma maneira mais clara de apresentar determinada informação.

Por isso, se você está pensando em entrar nessa área, não se preocupe tanto em descobrir imediatamente “qual tipo de designer eu preciso ser”.

Comece conhecendo o universo.

Teste coisas diferentes.

Observe, crie, erre e refaça.

Com o tempo, fica muito mais fácil perceber qual parte do Design Digital realmente desperta seu interesse.

Um livro para começar

Se você está começando a estudar Design e quer entender melhor como as pessoas interagem com produtos e objetos, uma leitura que vale muito a pena é A Psicologia das Coisas do Dia a Dia, de Don Norman, também conhecido pela edição em inglês The Design of Everyday Things.

O livro explora justamente a relação entre pessoas, tecnologia e objetos, discutindo conceitos como feedback, affordances, modelos mentais e design centrado no ser humano. A edição revisada também aborda processos de Human-Centered Design e Design Thinking.

O mais interessante é que você não precisa ser designer para aproveitar a leitura. A proposta do próprio Norman é ajudar o leitor a observar melhor os produtos e perceber por que algumas coisas são fáceis de usar enquanto outras parecem ter sido feitas para nos confundir.

É o tipo de livro que, depois que você começa a ler, faz você olhar para portas, controles, aplicativos e objetos do cotidiano de um jeito um pouco diferente.

Para continuar

Se você está começando agora, talvez a próxima dúvida seja:

UX e UI são a mesma coisa?

A resposta é não, mas, entender onde essas duas áreas se encontram é fundamental para quem quer trabalhar com Design Digital.

No próximo conteúdo, vamos falar justamente sobre isso.

Até o próximo artigo!

 

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