Pular para o conteúdo principal

Design Sem Fórmula

E, se você está começando agora, provavelmente já encontrou alguma explicação dizendo que UX é uma coisa e UI é outra. Até aí, tudo bem.

O problema é que, depois de algumas pesquisas, parece que a diferença ficou ainda mais confusa.

Afinal, UX e UI são a mesma coisa? Um Designer UX faz o quê? E o Designer UI? Qual área devo escolher?

A verdade é que UX e UI são diferentes, mas estão muito mais conectados do que parece.

Neste artigo, vamos entender essa diferença de uma forma simples, sem complicar.

O que significa UX?

UX significa User Experience, ou Experiência do Usuário.

Como o próprio nome sugere, UX está relacionado à experiência que uma pessoa tem ao utilizar um produto, serviço ou sistema.

Pense em um aplicativo de banco.

Você precisa fazer uma transferência. Abre o aplicativo, encontra a opção de transferência, escolhe a conta, informa o valor e confirma.

Agora imagine que, para fazer a mesma coisa, você precisasse passar por oito telas diferentes, não soubesse onde encontrar a opção ou recebesse mensagens difíceis de entender.

Mesmo que o aplicativo fosse visualmente bonito, a experiência provavelmente seria ruim.

É aí que entra o UX.

O profissional de UX procura entender as necessidades, dificuldades e expectativas das pessoas para ajudar a criar uma experiência mais clara, simples e adequada ao problema que precisa ser resolvido.

Por isso, UX não começa necessariamente desenhando uma tela.

Antes de pensar em cores, fontes e botões, existe uma pergunta muito mais importante:

“Qual problema estamos tentando resolver?”

E o que significa UI?

UI significa User Interface, ou Interface do Usuário.

Aqui estamos falando daquilo que a pessoa vê e utiliza para interagir com um produto digital.

Entram nessa parte elementos como:

  • cores;
  • tipografia;
  • botões;
  • ícones;
  • espaçamentos;
  • imagens;
  • menus;
  • componentes;
  • hierarquia visual.

Imagine novamente o aplicativo do banco.

Depois de entender o que o usuário precisa fazer, é necessário transformar essa solução em uma interface.

Onde ficará o botão?

Qual será o tamanho dele?

Qual cor será utilizada?

Como o usuário saberá que o pagamento foi concluído?

Qual informação precisa aparecer primeiro?

Tudo isso faz parte do universo de UI.

Mas existe um detalhe importante:

UI não é simplesmente deixar uma tela bonita.

Uma interface precisa ser visualmente agradável, mas também precisa comunicar, orientar e facilitar a interação.

Uma tela linda que ninguém consegue entender não é uma boa interface.

UX e UI são a mesma coisa?

Não.

Mas elas trabalham juntas.

Uma maneira simples de entender é pensar que:

UX está mais relacionado à experiência e ao caminho que a pessoa percorre.

UI está mais relacionado à interface que permite que essa pessoa percorra esse caminho.

Vamos imaginar um aplicativo de delivery.

UX

O Designer pode pensar:

“Como podemos tornar o processo de pedir comida mais simples?”

Ele pode analisar:

  • como as pessoas procuram restaurantes;
  • como escolhem os pratos;
  • onde surgem dificuldades;
  • quantas etapas existem até finalizar o pedido;
  • quais informações são realmente necessárias.

UI

Depois entram decisões relacionadas à interface:

  • como os restaurantes serão apresentados;
  • onde ficará o botão “Adicionar ao carrinho”;
  • qual será a hierarquia das informações;
  • como os preços serão apresentados;
  • quais cores serão utilizadas;
  • como será o feedback depois que o pedido for realizado.

Percebe como as duas coisas se complementam?

Uma está muito ligada à experiência e a outra à interface.

Uma comparação simples para entender UX e UI

Se ainda estiver difícil visualizar a diferença, vamos usar uma comparação.

Imagine que você entrou em um restaurante.

O UX seria toda a experiência que você tem:

Você consegue encontrar o restaurante?

É fácil fazer uma reserva?

O cardápio é compreensível?

Você consegue fazer seu pedido sem dificuldade?

O atendimento funciona bem?

Já o UI estaria mais relacionado à parte visual e aos elementos com os quais você interage:

O cardápio é organizado?

A tipografia é fácil de ler?

As informações estão bem distribuídas?

Os botões e elementos visuais são claros?

É claro que essa comparação não representa tudo o que UX e UI envolvem, mas ajuda bastante a visualizar a diferença.

O que faz um Designer UX?

Agora que entendemos o conceito, podemos falar um pouco sobre o trabalho.

O Designer UX pode participar de várias etapas de um projeto.

Dependendo da empresa e do projeto, pode trabalhar com:

  • pesquisa com usuários;
  • entrevistas; análise de problemas;
  • criação de personas;
  • jornadas do usuário;
  • arquitetura da informação;
  • fluxos de navegação;
  • wireframes;
  • protótipos;
  • testes de usabilidade.

Isso significa que UX não é necessariamente passar o dia inteiro desenhando telas.

Em muitos projetos, uma parte importante do trabalho acontece antes mesmo de abrir o Figma.

É preciso entender o problema primeiro.

E essa é uma das coisas que considero mais interessantes no UX: você precisa aprender a olhar para o projeto pelo ponto de vista de quem vai utilizá-lo, e não apenas pelo seu próprio ponto de vista.

E o que faz um Designer UI?

O Designer UI trabalha mais diretamente com a construção visual da interface.

Entre suas atividades podem estar:

  • criação de layouts;
  • definição de cores;
  • escolha de tipografia;
  • criação de componentes;
  • organização de espaçamentos;
  • criação de elementos visuais;
  • desenvolvimento de interfaces;
  • prototipação;
  • criação e manutenção de Design Systems.

Mas, novamente, não pense que UI é apenas escolher uma paleta bonita e colocar alguns botões na tela.

O Designer precisa tomar decisões.

Por que esse botão tem essa cor?

Por que esse título é maior?

Por que esse elemento está alinhado dessa maneira?

Por que determinada informação aparece antes de outra?

Essas escolhas precisam ter um motivo.

Uma boa interface não é feita apenas de elementos bonitos. Ela é construída com intenção.

UX precisa saber UI?

Não necessariamente.

E UI também não precisa dominar UX da mesma maneira que um profissional especializado na área.

Existem profissionais que trabalham especificamente com UX, outros com UI e outros que atuam nas duas áreas.

No início da carreira, porém, eu considero muito interessante conhecer os dois lados.

Mesmo que você descubra depois que prefere UX, entender um pouco de UI vai ajudar a conversar com outros designers e profissionais do projeto.

Da mesma forma, quem trabalha com UI pode se beneficiar muito ao entender os princípios de UX.

Afinal, você não está criando uma interface para você.

Está criando para alguém utilizar.

Essa é uma pergunta que muita gente faz quando está começando.

E eu acho que a resposta depende bastante do que você gosta de fazer.

Se você gosta de:

  • pesquisar;
  • entender comportamentos;
  • encontrar problemas;
  • organizar informações;
  • pensar em jornadas;
  • testar soluções;

talvez UX desperte mais seu interesse.

Se você gosta de:

  • trabalhar com elementos visuais;
  • tipografia; cores;
  • composição;
  • interfaces; detalhes visuais;

talvez UI seja mais interessante para você.

Mas não precisa decidir imediatamente.

Você pode experimentar os dois.

Aliás, eu recomendaria isso para quem está começando.

Experimente criar um fluxo de usuário.

Depois transforme esse fluxo em wireframes.

Depois crie a interface.

Faça um pequeno projeto do início ao fim.

Durante esse processo, você provavelmente vai perceber qual parte gosta mais.

UX é mais importante que UI?

Não.

E UI também não é mais importante que UX.

Essa comparação não ajuda muito porque as duas áreas cumprem funções diferentes.

Pense novamente em um aplicativo.

Você pode ter uma experiência muito bem planejada, mas se a interface for confusa, o usuário terá dificuldade para utilizar o produto.

Também pode acontecer o contrário: uma interface linda, moderna e cheia de efeitos, mas que torna uma tarefa simples extremamente complicada.

Nos dois casos existe um problema.

Por isso, uma boa experiência precisa de uma interface que ajude essa experiência a acontecer.

UX e UI não deveriam disputar espaço.

Elas deveriam trabalhar juntas.

E onde entra o Product Designer?

Se você começar a pesquisar sobre UX e UI, provavelmente vai encontrar mais um termo:

Product Design.

E aí a confusão aumenta.

O Product Designer normalmente trabalha pensando no produto digital de maneira mais ampla.

Ele pode participar da compreensão do problema, pesquisa, definição de soluções, experiência, interface e evolução do produto.

Em muitas empresas, o profissional de Product Design acaba transitando por várias dessas áreas.

Por isso, não estranhe se encontrar descrições de vagas bastante diferentes.

Os nomes dos cargos podem mudar de empresa para empresa.

O mais importante é entender o que você realmente fará no dia a dia, e não apenas o nome que aparece na vaga.

Preciso escolher entre UX e UI para começar?

Não.

Se você está começando, minha sugestão seria: aprenda os fundamentos dos dois.

Você não precisa se tornar especialista em tudo.

Mas entender como uma experiência é planejada e como uma interface é construída vai ajudar muito no seu desenvolvimento como Designer Digital.

Comece pequeno.

Escolha um projeto fictício.

Imagine um aplicativo, site ou serviço.

Primeiro pense:

Qual problema ele resolve?

Depois:

Quem vai utilizar?

Depois:

Como essa pessoa vai realizar sua tarefa?

E só então comece a pensar:

Como essa experiência vai aparecer na tela?

Essa mudança de ordem é importante.

Não comece pelo botão. Comece pelo problema.

O Figma entra onde nessa história?

O Figma aparece bastante quando começamos a falar de UX e UI.

Ele pode ser utilizado para:

  • wireframes;
  • interfaces;
  • protótipos;
  • componentes;
  • Design Systems;
  • testes e apresentações;
  • colaboração entre equipes.

Mas lembre daquilo que conversamos no artigo anterior:

saber usar uma ferramenta não significa saber fazer Design.

Você pode dominar o Figma e ainda criar uma experiência complicada.

Por isso, antes de pensar:

“Preciso aprender todos os recursos do Figma.”

pense:

“Preciso aprender a resolver problemas através do Design.”

A ferramenta vem para ajudar você a colocar essas ideias em prática.

Então, qual é a diferença entre UX e UI?

Se você chegou até aqui e ainda está tentando memorizar tudo, vamos simplificar.

UX

Experiência do usuário.

Está relacionado a entender problemas, necessidades e comportamentos para criar uma experiência que faça sentido.

UI

Interface do usuário.

Está relacionado à forma como essa experiência é apresentada e como a pessoa interage visualmente com o produto.

Product Design

Produto como um todo.

Pode envolver problemas, negócio, usuários, experiência, interface e evolução do produto.

E os três podem trabalhar muito próximos.

UX e UI não são a mesma coisa, mas também não são áreas completamente separadas.

Enquanto UX olha principalmente para a experiência e para o problema que precisa ser resolvido, UI trabalha com a interface que permite que essa experiência aconteça.

E talvez a melhor maneira de entender essa diferença seja parar de tentar decorar definições e começar a praticar.

Pegue um aplicativo que você utiliza todos os dias.

Observe.

O que funciona bem?

O que poderia ser mais simples?

Alguma informação está difícil de encontrar?

Algum botão poderia ser mais claro?

A partir dessas perguntas, você já está começando a olhar para um produto com olhos de Designer.

E se você está começando agora, não precisa decidir hoje se será UX, UI ou Product Designer.

Explore. Pratique. Teste caminhos diferentes.

Com o tempo, você vai perceber qual deles combina mais com você.

Um livro para começar

Se você quer começar a entender melhor UX e a relação entre pessoas e produtos, uma ótima indicação é Não Me Faça Pensar, de Steve Krug.

O livro fala sobre usabilidade na web de uma maneira muito acessível e mostra como pequenos problemas de navegação e interação podem tornar uma experiência muito mais difícil do que deveria ser.

E uma das coisas mais legais é que você não precisa ter conhecimento prévio em UX para entender.

Enquanto lê, tente fazer um exercício: abra alguns sites e aplicativos que você utiliza todos os dias e observe como eles funcionam.

Onde você encontra facilmente o que procura?

Onde fica confuso?

O que poderia ser mais simples?

Depois disso, provavelmente você nunca mais vai olhar para uma interface exatamente da mesma maneira.

Para continuar

Agora que você já sabe a diferença entre UX e UI, talvez esteja se perguntando:

“Mas o que faz uma interface ser realmente boa?”

É justamente isso que vamos começar a explorar nos próximos conteúdos, falando sobre princípios, hierarquia visual, usabilidade e decisões que podem transformar uma interface confusa em uma experiência muito mais clara.

Até a próxima!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *